quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Dando pinta!

Lá pelas tantas aparece aquela dos olhos indefinidos
minha certeza é que são coloridos
mas não sei tonalizá-los.
Ela me toma de assalto com minha própria arma
e ameniza a inadequação ao lugar.
Descubro uma pinta exposta
aposto que ela não sai do lugar!
No medo que ela fuja, tasco-lhe um beijo, mas ela ali permance.
Pintas são intactas.
Não se movem.
Ficam ali.
E ao menos posso observar.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Se é pra falar

A poesia não me alivia
me surta
e me persegue.
Se é para falar dela, falemos.
Calemos.
Ela se dissolve em pó
em face rubra
em queixo caído.
Calemos.
Não xingo a poesia
e ela não me xinga
ela ginga,luta capoeira
pode me dá uma rasteira.
Ela (fale baixo)
me persegue e me surta.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

A velha guarda

Sabe o que eu acho?
Tá tudo perdido!

domingo, 4 de setembro de 2011

Ah, que isso...

Não mereceria o mundo
eu não mereceria
seria farto
iria fundo
pouca falta faria.

Valor X

Medindo as palavras antes de dizê-las.
Incalculável.

sábado, 3 de setembro de 2011

Espera

Enquanto todos se divertem
o pedaço de pão derrrete
na boca da ansiedade
ele vira pra mim e diz: ok.
Eu digo nada.
Dou cabo de mais um, com manteiga.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Tira a fome

Quando era a fome do tiro
a fome do tiro era como
era tido como fome
como fome fosse
conforme o tiro
conforme, é fome.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Foi ele(a) quem disse...



Há muito tempo eu tento fugir de uma zorra que se prolonga por aí.É balão, é apito, é língua de sogra.Festa pra quê? Sacudir o esqueleto com que propósito? Corta essa! No mais, me mantenho deitado no mais profundo tédio farofeiro.É isso mesmo, tédio farofeiro.Levanto e como uma coisinha ou outra,bebo água o dia inteiro, leio, escrevo sem nenhum prestigio.E vou permanecendo,como quem nada quer da vida.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Bobagem

Pelo que parece o sentido é parco
perco o fio da meada
fritando em ondas avessas
me amarrem ou me retirem.
Outra coisa:
faz de conta que tudo é dito e claro.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Por um triz

Lá pras tantas, nove horas..
ah, sei lá! Nem lembro bem!
Que me encontrei perdido, quase na linha do trem
Me gritaram por um nome que eu nem sabia mais.
Quem?
Mas... Por ora me engano, era linha ou era cais?

De tarde

Penso no sentido do peso de nada
Penso no inicio da resolução
Eu não asseguro e nem invento coisas
há restos de preces desta procissão
me prostando inútil nao vejo motivo
de salientar a minha indecisão
peco no extremo escasso do meu surto
e durmo com sono sem nem ter colchão.

Há quanto tempo me invoco em ser a salvação suprema do meu póprio
Fico esperando, em troco de bala, minha passagem única nessa lotação.

domingo, 26 de junho de 2011

Não muda


É sempre aquela coisa de sempre
quem mais vem é quem mais sai
de perto tudo é lodo
de longe tudo é fossa
aqui tudo é igual.
É o tal negócio: tanto fez como tanto faz.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Tratando

Adiante a falha rente do dente
do que antes, mal cuidado foi
pelo sangue dolorido e quente
que vai da boca , do céu ao chão,
como vômito de moribundo
quem precisa de um especialista nesta area dura da vida ?

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Upload

Ô trem demorado!
Agonia de ficar esperando a resolução das coisas
tudo que eu queria era dormir agora
e não dá...
A máquina nem sempre é o gatilho mais rápido do velho oeste!
Canseira, viu?


quarta-feira, 11 de maio de 2011

Eu


Eu.
Vindo de onde vim.
De lugar nenhum que valha.
De lugar nenhum que pese.
Eu.
Que desatento tento.
Que não pego firme.
Que, como se diz, não me debruço em livros.
Eu.
Acho que devo largar de mão...

quarta-feira, 27 de abril de 2011

A partir de um dia

Ó, meu Deus do céu!
Ah, virgem das púdicas partes gastas!
Desde quando clamo nomes de "adeuses"?
Eu me peguei lendo a biblía de cabo a rabo
e fazendo novenas de noves fora,zero.
Parece que é...
Bendito seja!

Uma e outra

Não é de ver que a verdade vem?
Mentira, não vem que não tem!

O que tenho a oferecer?

Não sei lidar com rebelião.
Bem que gostaria.
Não sei lidar com dor que tenha motivo.
Não sei lidar com dor que venha da angústia.
Não sei (ainda) lidar com dor.
Não sei lhe dar mais do que não tenho.
Não sei lhe dar meu riso de dentes fartos.
Mas sei lidar com e lhe dar amor.

domingo, 13 de março de 2011

É dose

Vacilante, cintila sobre meus pés a estrela a boiar

Clarão de noite sombria

Refresco de vento no copo

E duras dores de cabeça , na beira do rio. (ou é do mar? )

Mesmas


De que servem as lesmas do quintal?

As mesmas de outrora , agora grandes

Riscando o caminho com suas mucosas e catarros finos,

pra lá e pra cá,

bem devagar?

sábado, 12 de março de 2011

Diário de bode


Eu, abismada com a falta do que fazer num fim de dia que já começou ocioso. Meu plano inicial era:

- acordar cedo e tomar um café preto para me manter em pé.

O fiz. Me mantive em pé, sentada e deitada durante todas as horas que correram. Grande utilidade tenho! Assim como um móvel cheio de poeira. Daí, com o pretexto de fazer minha parte nesse fim de sabádo, disse ao outro que escreveria singelas ou torpes palavras no word , sem rever a pontuação, naturalmente .Quem estiver lendo agora, verá tudo gramaticalmente semi-ok ,pois já terei dado aquela revisada. É isso até aqui. Boa Noite.

sexta-feira, 11 de março de 2011

Som sem


Manifestando a inútil proeza de calar
me zango fácil com o silêncio
que se completa no não-absoluto
pois sempre há um pintinho a piar.

Rebelião


Não sou eu que ouço a voz
sou eu que em um esforço vai
entro por um ouvido e saio pelo outro
cega por um sentido solto
livre por um segundo zás!

segunda-feira, 7 de março de 2011

poucas palavras


Amo esse garoto
cuido que pouco doa nesse peito
ele sabe o que estou falando
o amor do sorriso largo
das mãos que sinto nas minhas quando estou triste
dos pés descalços ao chegar da rua
das calças engraçadas para dormir
do café, um atrás do outro
das canções, uma atrás da outra
da poesia na lida
da dança incerta,ok?
amo você.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Para onde se mecher?

Com a ponta da lança afiada
Rumo ao certeiro golpe na folha
Que se estende reta e livre e solta
Sobre uma mesa de azul turquesa
A ponta curta penetra a madeira
E o papel permanece intacto mas prisioneiro
Entre o ar e a dura condição de continuar aí.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Nada dito


De primeira desempaquei
e lá na frente vidros cor de bolha me estouraram
estou de costas para o futuro
batendo de frente com o passado
de segunda talvez uma reza resta
e enfim acredite piamente no mais
além do que tenho medo de correr riscos leves
e no fundo, bem que boto fé nos ais.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Estagnação do espaço


O poeminha anda tão longo que toma a forma de paragrafo de narrativa.Não penso pequeno mais, nunca pensei grande, ando pensando médio.E as linhas vão cada vez mais juntas.Sumiram os versos de escadinha.Minha cabeça é uma máquina de escrever que faz plim quando acaba a folha.

Para que?

Não uso pretexto para escrever um texto.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Constatação do instante já.

Brusca noite que traz a duvida. A busca do nada e seu aceite. Se nada existe, nada acontece (rá!). Na árdua tarefa de viver em busca de... Não há razão para findar as coisas em coisas nenhumas. Hoje cheguei a uma conclusão que amanhã bem cedo, por força da metamorfose, se desencaixará de eixos x. Tenho a impressão que tudo não passa de ferro quente nas costas. De carne crua que não cicatriza. De pedacinhos de si. È completa tolice cruzar os braços.Hora ou outra começarão a formigar mãos sem movimentos e por hora braços inteiros...Agora um suspiro profundo de insatisfação com o que não construi .No meio disso procuro a próxima frase disso aqui.O nada é visão embaçada de quem levou bomba de efeito moral nas pupilas.Desespero , talvez.Quimera de buscar e encontrar.Pressa de chegar lá. Cada dia é pura luta para outro dia de perrengues.Na cabeça trechos legendados de que nada é tudo que não quero enxergar.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Juros

Mais do que dúzias de laranja
mais do que comprimentos que não se cumprimentam
outrora,porcentagem fixa
agora, porcentagem diversa
um sobre o outro um sobre o outro um sobre o outro um...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Sacudindo

Esses dias pra trás eu estava sacudindo a água do meu guarda-chuva e pensei :

“como é que pode chover desse tanto?”

- Que tanto?

"Esse tanto merreca de vez em quando."

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Dor de cabeça que não sarou até agora

Do lado de lá da testa uma dor noturna
parece que explode, mas não
comprimidos horas depois por horas errantes
e para dormir:ventilador para refrescar
do lado de cá da testa uma dor diurna
parece que já explodiu, mas não
comprimida por espaço pequeno-apertado
e para acordar: despertador .

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O que será amanhã?

Num tempo em que pouco tempo se passou
com um tempo que já passou a um tempão
encobertos por nuvens de lembranças com chuvas de esperas
traças , livros , filmes, canções
misturebas de épocas
e espero ter um tempão de passado para passar para alguém um dia...

Faíscas de cerrado

Quando essa noite cor de poeira chegou parecia tarde
e o sol mesmo "emborado" ainda parecia estar aqui
e o céu estrelado não parou de luzir como ponta de lança-raio laser.

Ê se tá!

Hesito se penso no próximo verso
e ao reverso penso em exitar
mas sei que daqui onde estou nada vai acontecer
se publicamente sou impublicável
fico de molho, colhendo palavra por palavra noir
plantando assim semente de mentira
que não vai florescer se é de plástico
nem dá fruto de brinquedo.
Hesito pensar em versos sonoros
hesito pensar em versos visuais
hesito pensar...

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

(R)existência - reforma ortográfica individual

Existir e estar vivo
estar vivo é resistir
aguentar as duras asinhas de galinha, e não as penas
estar aqui querendo estar ali
ou infinitamente nem aí...

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Vazio repaginado


Pilhas de livros lá de Babel
folhas sujas, juntas, separadas
poeira no chão
poeira no ar
papel picado
papel mordido
papel arranhado
papel dobrado
passos no piso não-encerado
ninguém na sala (de) estar...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Para onde?


O caminho é esse, vai nele
O caminho é aquele, vai nesse também
todos se confundem
não dão em nada, não dão em lugar nenhum
não dão.

Forte


Vindo um brilho de sol pela fresta
e o ranger de janelas que se fecham
a luz só entra por buracos
formam fios
formam fios que formam formas na parede da noite
de cor amarelo escuro.

Na gaveta


Falo daquele pedaço de dor dobrada
que se guarda na gaveta
que se deixa as traças
que dia ou menos dias se dissolve
com o tempo
virando só marca.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Que tal outra coisa hoje?

O caminho deveria ser só de pedra
ou deveria ser só de terra
e/ou deveria ser só de areia
e/ou/talvez deveria ser só de mar.
Lágrimas não poderiam ser só de sal
lágrimas até que poderiam ser sem gosto
não deveríamos sangrar sem sangre
não deveríamos enxarcar o peito sem charque.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Mudança climática

Tempo seco
o nariz ameaça sangrar.
Sangra.
Ameaça sangrar.
Tempo frio
o peito ameaça sangrar.
Ameaça.
Sangra.

sábado, 22 de maio de 2010

4 versos

Retornar ao tempo das boas novas
das velhas cantigas e histórias
quando a angustia doía debaixo do braço
e se pensava duas vezes em não pensar.


quinta-feira, 20 de maio de 2010

Meteorologia

Não quero amanhecer o dia nublada
e derramar pingos dos olhos no papel
não quero transbordar em ausências
quero que essa estação logo passe
que essa estação logo passe...

quarta-feira, 19 de maio de 2010

1

A gente se esquece
A gente se deixa
A gente se aborrece
A gente se queixa.

sábado, 15 de maio de 2010

Por isso...


(...) Por isso eu me comovo
e deito no chão da sala, perdido, como um pintinho sem ovo
eu tenho anos demais e muito tempo perdido
é frio agora, gela, venta no meu ouvido
me ensurdeço
me obscureço de desdém
meu telefone não toca
eu não me toco
eu me viro como der
não me corto no chuveiro as 3 da manhã
não encho a cara no bar para barbarizar
eu fico assim
com as mãos para cima como um marginal
olho alerta que pisca
que vê no horizonte imagens desfocadas
por isso meu desalento
por isso que não sei explicar
isso me desorienta e deixa na boca um gosto de mar.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Vegetação

Ervas secas no caminho
daninhas e danadas...

sábado, 8 de maio de 2010

Por que?

As mesmas palavras repetidas
de vez em quando repetidas no mesmo sentido anterior
o mesmo sentido anterior não diz nada
a palavra se repete sem força
e eu não acho outra para tomar forma
daí me perco nas frases
daí as frases não viram mais versos
sem versos (dizem) não há poesia
sem poesia não o avesso das coisas
sem coisas nao há lirismo...
Ah, e as mesmas palavras de sempre...

terça-feira, 4 de maio de 2010

Sono

Procurando doces melodias noturnas
para dormir e embalar os carneirinhos da mente
eles pulam bem lentamente
um
dois
depois três de uma vez.
E me lembro só desses aí.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

17 poemas de euforia


A vida é um vicio
que desde o inicio
é bem propicio
que o fim seja
num
p
r
e
c
i
p
i
c
i
o
.



Amanhã é dia que amanhece em pé
é bem capaz que nesse dia tu leve ré.



As frutinhas da estrada não são para comer
são para serem frutinhas da estrada
e para te entreter.


Lá longe a luz lumia
segue segue segue a danada
bem pertinho vira só uma faísca apagada.


O asfalto é um chão cinza
que aos poucos se desmancha e vira chão marrom.


Gertrudes não era rainha nada
não tinha tipo para tanto
era só uma mocinha que vivia num reino cercado por dragões bonzinhos
fora eles, não tinha mais nenhum súdito
que susto ela levou ao descobrir isso!



Quero andar de triciclo ou bicicleta com aquelas rodinhas
só nao puxe o cavalo pelas rédeas quando eu desejar galopar.



Um sorriso
32 dentes
2 de leite
o resto de tempo.



Liga 1,2,3
não liga mais.



As nuvens não são azuis, são brancas, ás vezes cinzas, ás vezes nada.



Não sei falar de mais nada além de chuva
chuva chuva chuva chuva.


Vamos bailar?
Não sei os passos, mas posso tentar passar.



Quando você era pequeno você queria ser o que?
- Grande.
E agora?
- Maior ainda.



Lalari
Lalara
palavras que não sei dominar
saem do peito repetitivas
e mal conseguem se expressar
tenho pressa nas tentativas
até atento antes de falar
mas as palavras, tão ce-ce-certinhas
não se cansam de errar.




Subi na árvore
fiquei de cabeça para baixo
vomitei nos cabelos longos
subi na árvore me arrebentei no chão de um galho arrebentado e fiquei com um galo na testa.



Vou fazer flores fritas
doidonas
uhu.


Eu queria ser atriz
mas sou vergonhosa
eu queria ser cantora
mas não canto lá muito bem
eu queria fazer filme
mas não sei mandar em nada
eu queria escrever
mas tudo é tão corriqueiro
que a tinta do tinteiro
vira cinza de cinzeiro
e sai tudo meio arteiro
mas escrevo por inteiro leiro leiro leiro....



sexta-feira, 23 de abril de 2010

Trabalho

O rinoceronte se aproxima e você recua
ele é forte, você recua
a janela é alta
você não pula
há o que temer, mas você não pula
não vale a pena.
Ser ou não ser um deles
trancado no seu escritório sombrio
nada de máquinas de escrever
nada para escrever
paredes:3
uma ao abismo
o rinoceronte lá embaixo lhe espera
para cavalgar pela cidade devastada.

terça-feira, 20 de abril de 2010

onde?

a maioria dos lugares são ocos
quem vai por lá fica só
e só há sons vazios
é triste
frio ...

Fome

Já que não tinha pedras para sopa
comeu o que não tinha para comer.

sábado, 17 de abril de 2010

Inseto

Mais uma vez a vespa passou voando
ao invés de passar velejando
se ela tivesse um veleiro
velejaria.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Palavras

Não tenho palavras para agora
não tenho palavras para depois.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

0x0

Já sabia que a porca torce o rabo para a esquerda
só não sabia que ela torcia o nariz para direita
eu torço muita roupa molhada
e torço o tornozelo quando corro
só não sei para quem torcer no próximo jogo.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Fadiga

Quem tem medo de descobrir que o nada , nada mais é do que nada?
Você procura, procura e no fundo no fundo nada tem para encontrar.
Temer algo que não existe só para poder acreditar que faz algo de importante
tô nessa aí...
Fuçando onde não tem o que fuçar
só para fingir que não sou preguiçosa.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Contas a pagar

A vista tenho um mundo inteiro
mas pedaços dele pago a prestação.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Sono sub-urbano

O subúrbio e as odes aos ratos
tenho gasto a sola do sapato com chão de asfalto
trupicar é um ato involunário
cair é uma escolha dolorosa
lugar ou não , comum ou sim
vou para lá pela força do vento sul
para aqui pela força da inercia norte
falta chegar de onde é Sol
falta partir de onde é Chuva
os pingos ácidos saceiam o braço liso
tenho medo de sinaleiros
de portas fechadas e janelas batendo
os ratos nao dormem comigo
vagueiam no teto velho
as janelas batem
querem entrar.
Vou abri-las pela força do hábito
as janelas fecham pela força do vento
e o medo so troca de lugar.

terça-feira, 30 de março de 2010

Artificial

Vento de ventilador
dor de ventilar vento
o céu ameaça chover
a chuva ameaça não vir.

domingo, 28 de março de 2010

Passou


Uma nuvem é sempre uma nuvem
e quando ela é já era...

sábado, 27 de março de 2010

Distrações

Nem tudo na vida se mantém intacto
desdém de coisas que deveriam ser eternas
um palpitar , pulsar de pulsos automáticos
e um hálito fresco de alumiar lanternas.

sábado, 20 de março de 2010

De tardezinha


Roda gigante vazia
banquinho de praça interditado
banco duplo do ônibus com um passageiro só
telefone mudo
frio a 36°
ruas invisiveis
lugares negáveis
pouca história para contar...
saudade...

chuchu para o jantar...

quinta-feira, 11 de março de 2010

Calendário


Hoje é dia 11
pensei que fosse dia 10
dia 10 já era
dia 12 será...
Amanhã esquecerei dos dias
um por um até chegar a 30
(ás vezes há mais um de reserva)
na semana basta largar mão de 7 dias
na quinzena, Zé já sabe...

"Tempo rei! Oh tempo rei ! Oh tempo rei!
Transformai as velhas formas do viver
Ensinai-me, oh pai, o que eu ainda não sei
Mãe Senhora do Perpétuo, socorrei!"
Esse em itálico é do brasileiro Gilberto Gil...

terça-feira, 9 de março de 2010

Despertador

Já é tarde para a hora de dormir
o que deveria fazer e não faço
amanhã outro dia errado
outro dia acordando atrasado
mais uma vez me recordo o tanto que não dô conta daqui...

Frango ao molho




Quando depenaram a galinha:
eu fiquei com pena...

sábado, 6 de março de 2010

Número tal



Certa vez descendo a escada do 5° andar me deparei com a escada do 4° andar.
A medida que fui pisando nos degraus outras escadas apareceram
a 3°, a 2°, a 1° e por fim estava no térreo
não fui até o subsolo
temi
só tem carros lá
pessoas chegando de carro
pessoas saindo de carro
disse obrigado para o porteiro que abriu a porta
e fui para a rua lisa
sem elevações
e corrimões.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Condecoração


Minha condecoração é invisível
decorei todas as cores do mundo
e isso foi motivo para tal menção...

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Memórias de Dona Traça

Daquela foto se arranca os olhos
da foto, de nada mais
por ela enxerga luz
faz sombra na parede
dois pequenos circulos tortos
aquela foto se rasga inteira
e ela esquece o passado arrastado.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Hum...

Das fatias enfileiradas
prontas para o consumo
fila da morte rumo ao estômago qualquer
no âmago do desespero delas
elas não permitem que a embalagem seja aberta
embalam-se num sono profundo
indefesas fatias de queijo...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Aí.


Me comove como esse meio de se chegar é duro e penoso
Pelo menos ali na frente se espera mais do que abutres
Mas nunca se chega, meu caro
E se chega, alguém grita que acabou.
- Para mim chega!


E chegou...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

ê goiás parado...


Em cima do lúdico-purpurina
coração de sangue encharcado
Frida Kalo
Feridas, calos
Solzão forte no Goiás
medo de andar na rua e não suportar e cair na Anhanguera
as ruas são as mesmas
os cruzamentos os mesmos
as lojas , as pessoas, os sanfoneiros, os palhaços, os mesmos
Tudo na mais calma monotonia
mas como diria fulano de tal:
Ele não disse nada
Vou passar a tarde toda escrevendo
assim o calor ameniza
o dia passa
e passo mais um dia...

Filmes

Fico na espera pela derrota do destino de Virginia Wolf
Fico na espera pela coragem do destino de Forrest Gump...
A realidade é mais dura do que a ficção de uma pena no ar
A ficção é mais leve do que a realidade de pedras no rio...

dia tal

A gente no fim não se torna nada
dá vontade de entornar o que não pode
o mundo é tão grande
e a gente tão pequeno
vai pelo ralo, vai por aí...

Fico esperando o Sol menos forte
e a chuva menos frequente...

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Sem luz


Quem sabe
aos poucos
um dia
a incomunicabilidade seja objetiva ao receptor
e ao interruptor.




quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Letra tal letra tal

não é ofício
não é obrigação
não é mecânico
não é porque me pedem (nem pedem)
não é exibição
não é premeditado
não é bem pensado
não é estratégia
não é vacilo
não é fácil
nem tampouco dificíl
não é malabarismo
não é prejudicial
não é engraçadinho
nem jeito se tem
mas faço porque preciso
porque me liberto
porque suspiro como se fosse o último da vida
porque me refugio.
Devia fazer isso mais vezes
mas devo a mim mesma um bocado de disciplina
agora
aqui
escrevo
porque sou
porque preciso ser
porque não sei estar
presente

onde
não estou.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Sem o que fazer

Quem teve um vô sabe onde ir
eu não tive (E aí?)
prondevô?
(ai,que besta...)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Bom dia!

Amarrotada em toda a extensão do corpo
acordou como se fosse um embrulho
uma bala acabando de acordar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Azulzim


O céu desse azul das árvores verdes
vai ficar meio cinza qualquer dia desses
e a chuva sem trégua
vai inundar minha cabeça pelos buraquinhos dos fios de cabelo...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Chuva de antes


Minha manhã chuvosa:
um mar de lama lá fora
meninos escorregando na torrente
se divertem ...
Um trator cava buracos
para depois de alguns anos
tirar o cheiro de terra molhada
e deixar o nada do asfalto.